Por Kalel Rodrigues de Souza

Da série de textos “Em cada canto do Largo”, do Departamento de Escrita e Literatura (DAEL) da AlZ
ao concedido tempo de fala renuncio
dedico meu prurido aos pudicos pombos
dos quais não se faz arrulho em meus ombros
embora batendo a cala obstruam único cio
retirem o caixote e construam um monumento
à língua e às mínguas desta assaz mordaça
repristinem Quixote e ao Largo do movimento
passará voando pupila que jaz e ainda assa
pisa-se nas cobras. visto meu manto de irrisão
pensei até ser morta fonte. de si jorram misérias
velhas fés e novas fezes.
quem sabe, gotas de sal provocarão a erosão
antes da nau de Caronte, destas decrépitas falésias
fica-se e talvez aí haja proveito além do rejeito
não fico, e altive-se só Dele o mero rio em que me deito
e não me deleito. oratório.
em livre território, ser aquele velho e vazio parlatório.