Por Guilherme Galina

Ao limiar do nosso amor, um brinde
Viva! Deixai-me embebedar
pelo fim que não foi porque início sequer houve,
pelo ímpeto de possibilidade que fez em mim morada,
pelo Eros que uma só flecha acertou
O primeiro não sou, tampouco o último serei
Ó, bendita ilusão de outrora! Da mais clichê fui vítima
A primeira do plural não lhe era comum
Vazia esperança que no fitar tão fugaz se renova
Infame deleite que sobre mim pairou
Amarga ternura, fez de mim o seu nada
Errante alma minha que sai ao encontro da sua
Derrama a lágrima incrustada na tardia consciência
Luz é a beleza vindoura que se lança
Acaso querido? Confundo-me; ao destino pertence
Ao amor do nosso limiar, um brinde
Viva! Deixai-me embebedar
pelo início que houve porque sequer não foi fim,
pelo ímpeto que em mim fez morada de possibilidade,
pelo que uma flecha só Eros acertou