Por Bianca Nasciutti Costa

Poema sobre o “Pátio dos Calouros”, ou “Pátio do Cícero”, da série “Em cada canto do Largo”, do Departamento de Escrita e Literatura da AlZ
Existe uma porta sempre aberta no coração de São Francisco
Se ela não tranca, é porque não trago comigo a chave
Trago incessantemente um pouco de tabaco e vício
Se eu não entro, é porque nela o meu santo não cabe
Acabo minha baronia e me reservo o corredor
Parto àquela porta que nunca me priva
Procrastino preferencialmente na parte primeira
Parto o filtro daquilo que me prendia
Prendo minha visão no verde vasto cultivado
Velhas veitichias grisalhas
Não sei se é pelo ar
Com São Paulo e São Francisco, todo fumo se confunde
Na varanda turbulenta, alguém me convida para fumar
É Cícero que me oferece um cigarro
Instintivamente, me empenho a aceitar
Estoicamente escondo envergonhada o escarro
Minha ética nunca foi a de tragar
Uma estátua estranha a mim se estende
Dessa vez, um estudante com terno de alfaiate
Todo tipo de gente vir ter aqui é surpreendente
A fumaça faz com que qualquer traje se disfarce
E é nesse coletivo individual omissíssimo,
Nesse Roma me tem amor sem fim
Que Cícero faz sua fumaça, sozinho
Infelizmente, missa é assim
Porém, a porta continua aberta