1º lugar da categoria “Poesia” do Concurso “Artes do Horror” de 2026
Por Fernanda Vasconcellos
Andam dizendo que boio no mar
e que as chamas de minhas velas
não aquecem santos.
Louco é o homem que crê
em minhas palavras, o Pai-Nosso
se dobra nesta língua.
Há uma cruz na porta de nossa casa
e um diabo entre as pernas
da mesa de jantar,
onde minha alma é banquete
– sirvo-lhes o cordeiro, alecrim
e um litro de arsênico.
Louco é o homem que crê
no homem que se diz santo.
Melhor é ir com as ondas,
pois certas coisas não mudam:
matamos todas as bruxas,
mas nunca deixamos de queimar gente viva.