Andam dizendo que boio no mar

e que as chamas de minhas velas

não aquecem santos.

Louco é o homem que crê

em minhas palavras, o Pai-Nosso

se dobra nesta língua.

Há uma cruz na porta de nossa casa

e um diabo entre as pernas

da mesa de jantar,

onde minha alma é banquete

– sirvo-lhes o cordeiro, alecrim

e um litro de arsênico.

Louco é o homem que crê

no homem que se diz santo.

Melhor é ir com as ondas,

pois certas coisas não mudam:

matamos todas as bruxas,

mas nunca deixamos de queimar gente viva.